O MUNDO, ENCHARCADO DA AMOROSIDADE DIVINA!

fev4 prancheta 1

O cristianismo é altamente materialista: Deus se fez um de nós (há crenças que pedem que até neguemos nossa “decaída” condição humana ). Fomos criados “à imagem e semelhança” Dele. Uma maravilha!

Nesse 4o domingo da Quaresma, o evangelho de João afirma (3, 14-21): “Deus amou de tal forma o mundo que entregou seu Filho único para que não morramos, mas tenhamos a vida eterna (…). Não para condenar o mundo, mas para salvá-lo”.

Sim, toda criatura e todo amor são sagrados. Mas para perceber é preciso “renascer da água e do Espírito”. Nicodemos, mestre em Israel, chefe dos fariseus, ignorava isso!

Comungar é “nascer de novo” e sentir “as coisas da terra”, a imensa beleza da Criação! É preferir a luz às trevas.

Quem tem obscurecido o mundo, produzindo devastação e guerras com suas “ações más”, é a ganância do ser humano…

O planeta não precisa de nós, mas nós precisamos dele. Devemos cuidá-lo como Casa Comum, dom de Deus.

Os ritos, muitas vezes, engessam e burocratizam essa percepção concreta e mística. Há supostos líderes religiosos mais preocupados em “repreender”, julgar e condenar (e arrecadar, em tacanho “materialismo”) do que em propagar o amor e dar “gracias a la vida”, que tanto nos oferece.

Nesse domingo, compartilho com vocês um lindo louvor ao mundo da poeta norte-americana Emily Dickinson (1830-1886), só valorizada após sua morte – e vai como homenagem à luta das mulheres nessa sociedade tão masculinista:

“Alguns guardam o domingo indo à Igreja.

Eu o guardo ficando em casa.

Tendo um sabiá como cantor

e um pomar por Santuário.

Alguns guardam o domingo em vestes brancas.

Mas eu só uso minhas asas…

E ao invés do repicar dos sinos na Igreja,

nosso pássaro canta na palmeira.

É Deus que está pregando, pregador admirável!

E o seu sermão é sempre curto.

Assim, ao invés de chegar ao Céu só no final,

eu o encontro o tempo todo no quintal“.

Às vezes, o Deus Amor está bem mais perto do que nós e os doutores (como Nicodemos) pensamos… À nossa volta, dentro de nós.

(dedico essa reflexão ao querido amigo Zé Francisco Drummond Reis, homem de imensa fé e generosidade, que nos deixou em 7/3/2024).

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