MAIS QUE FIGURAR: TRANSFIGURAR-SE!

Somos de barro e luz, atados à terra mas capazes de transcendência. Transfiguremo-nos! Salar Uyuni (Bolívia)

(Breve reflexão para crentes ou não)

O Evangelho desse 2o domingo da Quaresma (Mc 9, 2-10) é arrebatador.

Jesus sai do “agito” e sobe ao monte com três dos seus (Pedro, Tiago e João). No silêncio vivencia melhor a transcendência.

Ali reencontra Elias e Moisés. Faz a ponte entre a tradição, representada por profetas do Velho Testamento, e o contemporâneo, através dos seus assustados discípulos.

Sabendo-se filho do Todo Poderoso Amor (“Este é meu filho amado, escutai-o!”) entra no êxtase da plenitude: torna-se iluminado, mil sóis resplandecem sobre Ele, suas vestes ficam alvas como a neve.

Trata-se de um chamado para que apostemos na possibilidade da nossa própria transfiguração. Da iluminação, que não é alucinação!

Um desafio: passar da passividade para a luta. Do lugar de alienado que o sistema nos reserva – “gado”, multidão boiada que obedece a qualquer berrante dissonante – ao protagonismo crítico e amoroso, no qual cada um “compõe a própria história e carrega em si o dom de ser capaz – e ser feliz” (Almir Sater).

Não ceder à tentação de “armar ali três tendas”, para só fruir, instalados, do bem bom, do céu na Terra.

É hora de enfrentar os desafios: da solidão para a comunhão, do fastio com a rotina do sistema que nos quer passivos consumidores para a ação por cidadania ativa.

Transfigurar é transitar da indiferença à generosidade não piegas, organizada. Do embotamento aburguesado/embrutecido dos sentidos à vibração com tudo que faz o humano desabrochar. Da objetividade do cálculo para acumular à compreensão de que “a vida é amiga da arte, é a parte que o sol me ensinou” (Caetano, Força Estranha).

Tudo isso pode nos fazer resplandecer como o Mestre! Como os três, os seis no alto da montanha (olhe bem!). E nos faz ver Deus, nuvem carregada de Amor – sombra e água na árdua caminhada.

Só dá pra transfigurar, iluminar, ter o coração e a face brilhantes (sem “harmonização” que não seja natural), fazendo a costura da justiça e da fraternidade – ódios e mágoas superados.

Saiamos da apatia, ascendamos à alegria Daquele que “faz novas todas as coisas”. As dores são inevitáveis, mas sem essa de desânimo, sem essa de cansaço. Sempre é tempo, o tempo é aqui e agora!

“Deus é mais belo que eu. E não é jovem. Isto sim, é consolo” (Adélia Prado)

Somos de barro e luz, atados à terra mas capazes de transcendência. Transfiguremo-nos!

Salar Uyuni (Bolívia) – registro de Lívia Volta Dias

Transfiguração no Monte Tabor

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