ENCARE O DESERTO!

NOVA FRIBURGO (RJ)

(breve reflexão para crentes ou não)

Hoje é o 1o domingo da Quaresma. Tempo especial, para os cristãos, de reflexão, revisão de vida e conversão, isto é, mudança de pensamento e atitude, a partir do reconhecimento dos erros (“convertam-se e acreditem na Boa Notícia” – Mc, 1, 15).

O evangelista Marcos, antes dessa exortação, relata os 40 dias de Jesus no deserto, “levado pelo Espírito, tentado pelo diabo, entre animais selvagens e com anjos a protegê-lo” (1, 12, 13).

Essa é nossa humana condição: caminhar entre terras fecundas e áridas, ameaças e amparos, debilidades e virtudes. Solidões e comunhões.

O deserto faz parte e nos ajuda a prosseguir. É silêncio em meio à barulheira, escuta no alarido, passo lento na sociedade acelerada, austeridade dentro do esbanjamento irresponsável, do desperdício insensível.

“Se eu quiser falar com Deus/ tenho que ficar a sós/ Tenho que apagar a luz/ tenho que calar a voz/(…) Tenho que ter mãos vazias/ ter a alma e o corpo nus/ (…) Tenho que aceitar a dor/ tenho comer o pão que o diabo amassou/(…) Tenho que subir ao céu/ sem cordas pra segurar” (G. Gil).

No deserto, como beduínos a limparem os corpos com areia, podemos “lavar” as nossas mazelas e arrependermo-nos sinceramente delas, fazendo autocrítica. Reconhecermo-nos carregados de erros e poucos acertos.

Nos desertos da caminhada existencial podemos escutar melhor a voz de Deus, que amorosamente nos ajuda a separar o essencial do supérfluo. A afastar, na secura do ambiente, as “gorduras” dos ódios e vaidades. A nos superarmos, sem culpas paralisantes.

Deserto é desapego, humildade e percepção da dignidade aviltada de cada ser humano e da natureza. Deserto tem beleza. “Que Deus nos ajude a transformar desertos em terra fértil” (D. Hélder Câmara – 1909-1999)

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
Twitter
Telegram
Email

Leia também:

sem título 1 prancheta 1

RESSUSCITA-NOS!

Páscoa é a linda história do Nazareno, o Deus feito gente, que veio ao mundo e nada guardou para si. Tudo, em Jesus, era destinado aos outros. Quando a morte chegou, para tomar seus bens, sua propriedade, nada encontrou para tomar, tudo já havia sido dado. Assim, foi vencida.

The Last Supper

LAVARMO-NOS OS PÉS, REPARTIR O PÃO

Jesus e os seus – estamos todos e todas convidados! – reúnem-se para a ceia. A sala abriga, a refeição congrega. Os inimigos estão à espreita, mas ali, naquele momento mágico, reina a Paz.

Rolar para cima