“EU QUERO VER DE NOVO!” (Breve reflexão para crentes ou não)

Em milhares de comunidades cristãs do mundo é relatado, neste domingo, um milagre de Jesus, que ele não atribui a si próprio. O cego Bartimeu, “esmolando à beira do caminho”, ao recobrar a luz pela qual clamava, ouviu do Nazareno: “pode ir, a sua fé curou você” (Mc 10, 46-52). Milagre é sinal: quanto ensinamento nesse episódio!

Os discípulos de Jesus quiseram calar Bartimeu, que “incomodava” com seus gritos, mas ele insistiu, não se aquietou. Queria mais vida e reconhecia a energia de Jesus. E nós, lutamos pelo que possibilita mais vida? Onde colocamos nossa esperança?

Aprendemos de fato a enxergar para além das aparências? Mário Quintana (1905-1994) diz que “o pior analfabeto é aquele que sabe ler e não lê”. Estamos desperdiçando o dom da visão? Deixamos passar despercebida, por exemplo, a dignidade das pessoas – nossas iguais, irmãs – “à margem do caminho”, invisibilizadas, esquecidas? Abrimos os olhos para a beleza e o cuidado da natureza enfumaçada, envenenada, ameaçada?

Aprendi na Juventude Estudantil Católica (JEC), décadas atrás, um método para entender a realidade da vida: VER – JULGAR – AGIR. Vale pra existência inteira. E nos interpela: como estamos enxergando a nós mesmos (revisão autocrítica de vida) e para o mundo (“todo ponto de vista é a vista de um determinado ponto”, ensina Leonardo Boff)?

Estamos sabendo analisar as situações, sem pensar em interesses egoístas, tão estimulados pela sociedade da competição e do acúmulo? Que ações concretas, coletivas, junto com vizinhos, familiares, colegas de trabalho, grupos sociais, tenho praticado para melhorar a mim mesmo e a sociedade, no caminho – como Bartimeu seguiu – do amor e da justiça?

Domingo passado citei aqui alguns versos da canção “O medo de amar é o medo de ser livre” (Beto Guedes e Fernando Brant). Nela “vejo” também alusão ao Evangelho de hoje: “o sol levantou mais cedo e quis/ em nossa casa fechada entrar/ pra ficar (…) O sol levantou mais cedo e secou/ o medo nos olhos de quem foi ver/ tanta luz!”.

A luz é benção divina. Saibamos ver! Que ela ilumine o caminho de cada um(a), na direção do bem, do belo e do justo!

“Nascer do sol” – Claude Monet (1840-1926)

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