DUAS POSTURAS

“Não vim aqui para me aborrecer!”, respondeu Bolsonaro, irritado, no último fim de semana, quando passeava de moto no litoral paulista. Não gostou da pergunta de uma jornalista sobre a marca trágica dos 600 mil mortos na pandemia – que dissera ser “gripezinha”. Mortes frente às quais já indagara “e daí?” e afirmara “não sou coveiro”, “chega de mimimi, vão ficar chorando até quando?”.

Na capital de São Paulo, o cantor e compositor Criolo, ao perder a irmã Cleane, de 39 anos, para a Covid, compôs um manifesto-canção tocante em sua homenagem:

“Talão azul de jazigo pequeno/ faz arminha pra pretos morrendo (…) Esse sangue pisado não é açaí/ mataram inocente, granola e caqui/ (…) Na praia da morte do grande vizir/ um tiro na cara, um tiro na nuca/um tiro no amor, outro na cultura/(…) Não é filme de Rambo, Brasil tá sangrando/ essa brisa não bate bala de veneno”.

Somos a nossa atitude diante do outro. Ser é ser-com-os-outros, na dor e na alegria. Somos empatia. O contrário é o egoísmo, o autocentramento sem sul ou norte: a morte.

Criolo completou, doído: “a pandemia nunca vai passar para quem perdeu um ente querido”. Nando desenhou nosso doloroso espanto:

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
Twitter
Telegram
Email

Leia também:

Casa de madeira quase inteiramente submersa com as enchentes. Para fora da água apenas o telhado.

Sinais dos tempos

A Comissão para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nota, solidariza-se com as pessoas e comunidades do Estado do Rio Grande do Sul.

CARTA ABERTA AO COMANDANTE DA MARINHA SOBRE A REVOLTA DA CHIBATA

A inscrição do nome de João Cândido Felisberto, líder da Revolta contra a Chibata, em 1910, no Livro de Heróis da Pátria, já aprovada no Senado (PL 340/2018), está em análise na Câmara dos Deputados, onde tramita (PL 4046/21).

V. Exa. entrou no debate, enviando uma carta ao presidente da Comissão de Cultura, deputado Aliel Machado (PSB/PR). É legítimo, a Casa do Povo tem que ser sempre democrática.

Rolar para cima