APARECIDA E REDENTOR, HUMANA E DIVINA CRENÇA DE AMOR

Ela, com seus miúdos 36 centímetros, veio do fundo das águas do rio Paraíba do Sul. A imagem em terracota chegou, graciosamente, nas redes remendadas de humildes pescadores, João, Felipe e Domingos, há 304 anos. Em partes: primeiro o corpo, depois a cabeça. Maltratada e bem acolhida, anunciava, no tempo da escassez colonialista, pesca boa para todos, não só para o governador da província de São Paulo, o Conde de Assumar, que visitava Guaratinguetá. Negra Aparecida, protetora dos pobres e escravizados, padroeira do Brasil!

Ele, na grandiosidade de seus 38 metros, foi concebido na Europa, pelo francês Paul Landowski, e erguido ali no alto do Corcovado, durante uma década, pelas mãos de anônimos operários. Estátua gigante de concreto armado, revestida de pastilhas de pedra-sabão, inaugurada há 90 anos, sob as bençãos do cardeal Leme e do presidente Vargas.

Braços abertos sobre a Guanabara, o Cristo vê a desigualdade brasileira na cidade que abençoa, ouve as súplicas e os atabaques do povo clamando por seus orixás (nossa perseguida matriz africana é potente) e sente o cheiro dos valões e do sangue inocente derramado cotidianamente. Ainda assim, dá beleza e fulgor ao Rio de Janeiro, essa maravilha encravada entre a montanha e o mar.

Na basílica de Aparecida ou na capelinha sob a base do Redentor, a sempre jovem senhorinha aparecida chama a atenção: mais que a catedral ou o monumento, é preciso conhecer os caminhos do coração! Mais que como “romeiros” ou “turistas”, estamos aqui, peregrinos, para espalhar benefícios e semear beleza e justiça. Sendo, cada um(a), de sua vida o principal artista.

Que Nossa Senhora Aparecida cubra com seu manto azul os deserdados do Brasil, nos ilumine com seu amor e nos ajude a suportar toda dor. Que Nosso Senhor Jesus, o Cristo de braços estendidos sobre a cidade, nos livre de toda injustiça e falsidade. E, bem mais que um cartão postal, com a energia que expande, nos afaste de todo o mal!

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