COM-PAIXÃO (breve reflexão para crentes ou não)

Compaixão não é mera caridade ou esmola. É o que o Evangelho de Marcos (5,21-43), lido hoje em milhares de missas e cultos pelo mundo, relata sobre a postura de Jesus frente ao sofrimento dos outros.

Com-paixão: sentir com, receber em si a angústia alheia. Perceber, ao menor toque, a dor, a necessidade do outro. E agir. Comunidade de sentimentos.

Após a travessia “para o outro lado do mar” – navegar é preciso! – Jesus é cercado pela multidão. Mas distingue cada um: Jairo, o chefe da sinagoga que chorava por sua filhinha de 12 anos, agonizante; a mulher com hemorragia que lhe toca o manto.

Percebe, sente: com-paixão. E age apaixonadamente. Sentiu a aflição da mulher que tocara levemente a roupa e, movido por amorosa e misteriosa força, indagou: “quem me tocou?”. A mulher, assustada, revelou-se. “Sua fé a curou, vá em paz, sem doença!”.

Toda energia de ternura traz saúde, sempre. Vivemos numa sociedade doentia por falta da percepção do outro, da solidariedade. Sistema de egoísmo industrializado, cibernético. Da massificação da indiferença, do descartável. Nesse ritmo do “cada um cuida de si” ficamos enfermos, nos destruímos.

Jesus vai até a casa onde a menina Talita agonizava. O choro sentido dos que lá estavam anunciam seu falecimento. Como é dolorosa a morte de qualquer pessoa que está começando a vida! Mas Jesus diz que ela “apenas dorme”. E de novo, por um impulso amoroso e vital, pega na mão de Talita e carinhosamente ordena: “Levante-se!”. A menina sai da cama e, feliz, começa a andar.

Quantas pessoas à nossa volta ainda estão adormecidas para a realidade do mundo? Quantas, mesmo jovens, param de caminhar, desanimadas, deixando que as sombras da tristeza, da doença e da morte predominem em sua vida? Temos percebido seus toques e ajudado a acordá-las? Estamos, nós mesmos, despertos e caminhantes, juntos com os semelhantes, atentos aos desafios e ofertas da existência?

Nesses ásperos tempos em que choramos 512 mil mortes, na maior tragédia sanitária da nossa História, é impossível não ter compaixão, não agir em ações solidárias – inclusive se cuidando para conter a propagação do vírus.

A compaixão tem, obrigatoriamente, uma dimensão sócio-política. É inadmissível não reagir diante do absurdo de altas autoridades que não apenas duvidam da vacina (ou fazem negociatas com ela!), mas, toscos aprendizes de Herodes, tiram a máscara do rosto de crianças, zelosamente colocadas por seus pais!

Deixemo-nos tocar pelas atitudes compassivas de Jesus, que não têm nada de passividade. Ao contrário, desinstalam, rompem a rotina, transformam, revolucionam!

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