A CHAMA SE ACENDE!

“E o rio de asfalto e gente entorna pela ladeira, entope o meio fio…/ Esquina mais de um milhão/ quero ver então a gente, gente, gente, gente!” (Clube da Esquina 2, Marcinho Borges, Lô e Bituca).

Ia chegando gente e essa canção entrando na minha cabeça. E meu coração na curva de um rio, rio, rio. Nosso Rio! Agora, em Sampa, mais alguma coisa acontece em meu coração: um povaréu, uma emoção!

Rio de gente consciente, protegida, que se cuidava e dava exemplo de cidadania, pela Presidente Vargas, pela av. Passos, pela Carioca, até o Largo, onde mal cabia a largueza da nossa luz coletiva, contra as trevas imperantes, do negacionismo, da estupidez, do neofascismo.

Papa Francisco tem razão: nunca vi tanto consumo de álcool… Em gel, pra multidão (rsss). Oração, organização e ação! Tod@s com máscaras, tod@s com a fronte altiva como a de Zumbi dos Palmares, cujo busto nos abençoava.

Uma chispa, uma centelha, um comovente reencontro presencial nas amplas ruas, com distanciamento. Sem roncos de motores que destilam ódio e poluem o ar já tão carregado. A única nota dissonante veio de Recife, onde a PM do governo do PSB (que vergonha!!!) jogou bombas de gás e spray de pimenta sobre quem caminhava pacificamente.

Assim foi e está sendo este sábado, 29 de maio, em muitas capitais e cidades brasileiras e do mundo! Um grito de basta, de chega, de não dá mais pra segurar tanta devastação humana, sanitária, ambiental e política. #ImpeachmentSalvaVidas, gritamos.

Muita juventude, sim, no seu verdor de idealismo. Mas também alguns da minha “categoria” etária. Sabemos que foi só com a mobilização nas ruas e praças que cutucamos os palácios, derrubamos (em parte) a ditadura, conquistamos a anistia, as Diretas (que não foram tão “já”), a Constituição de 88, a nossa ainda frágil democracia. Aprendemos, não sem sofrimento, que “os sonhos não envelhecem”. E que sem o grande motor das manifestações públicas nenhuma mudança, que combata a chaga da desigualdade acontecerá.

Hoje foi um lindo começo, só o começo. Nossas vidas e nosso solidário apreço não têm preço!

Foto: nossos passos comuns pela reconquista democrática na Avenida Passos

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Casa de madeira quase inteiramente submersa com as enchentes. Para fora da água apenas o telhado.

Sinais dos tempos

A Comissão para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nota, solidariza-se com as pessoas e comunidades do Estado do Rio Grande do Sul.

CARTA ABERTA AO COMANDANTE DA MARINHA SOBRE A REVOLTA DA CHIBATA

A inscrição do nome de João Cândido Felisberto, líder da Revolta contra a Chibata, em 1910, no Livro de Heróis da Pátria, já aprovada no Senado (PL 340/2018), está em análise na Câmara dos Deputados, onde tramita (PL 4046/21).

V. Exa. entrou no debate, enviando uma carta ao presidente da Comissão de Cultura, deputado Aliel Machado (PSB/PR). É legítimo, a Casa do Povo tem que ser sempre democrática.

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