Ex-deputados federais, como Chico Alencar, Milton Temer e João Alfredo Telles Mello, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, e artistas como Monica Iozzi e Camila Morgado, dentre vários líderes religiosos, como monges, padres, pastores e teólogos, estão entre os 100 novos signatários do pedido de impeachment apresentado pelos deputados federais do PSOL Fernanda Melchionna (RS), Sâmia Bomfim (SP), David Miranda (RJ), pela deputada estadual do RS, Luciana Genro, e por mais de 200 figuras públicas e 1 milhão de cidadãos brasileiros.

O aditivo apresentado na Câmara nesta segunda-feira (27) sinaliza que Bolsonaro cometeu diversos crimes de responsabilidade e atualiza o documento original com os últimos fatos relativos à demissão de Sérgio Moro do cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública. De acordo com os signatários, o presidente cometeu crimes de responsabilidade por fazer uso da Polícia Federal para fins pessoais e familiares.

“Já tínhamos coletado mais de 1 milhão de assinaturas de brasileiros na petição que fizemos pela internet e contado com o apoio de figuras expressivas da cultura e da política. Os últimos episódios mostram a necessidade de pararmos Bolsonaro. Quanto mais permanecer na presidência, mais crimes cometerá e se utilizará do aparelho estatal para encobri-los”, afirma a deputada Fernanda Melchionna, líder do PSOL na Câmara dos Deputados.

A peça destaca que o próprio presidente assumiu, em pronunciamento, que solicitou interferência na Polícia Federal por interesses pessoais, no que foi atendido por Sérgio Moro. Isso se deu, segundo Bolsonaro, na atuação da Polícia Federal no caso Marielle, que está sob tutela da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, tanto no episódio que envolveu o porteiro do condomínio em que a família Bolsonaro possui residências, quanto na oitiva de Ronnie Lessa sobre um eventual relacionamento entre sua filha e o filho mais novo de Jair Bolsonaro. Isso, por si só, já caracterizaria motivos mais do que suficientes para o impedimento do Presidente.

SOBRE O PEDIDO DE IMPEACHMENT

O pedido de impeachment foi apresentado oficialmente em 18 de março, mesmo dia em que se registrou pela primeira vez grandes panelaços contra o presidente Bolsonaro devido à sua atuação frente à pandemia de coronavírus. Ao mesmo tempo, iniciou-se uma petição online de apoio ao pedido com todas as assinaturas sendo registradas em sistemas auditáveis com o registro do IP dos assinantes, evitando assim assinaturas falsas. Nomes como Monica de Bolle, cientistas Stevens Rehen e Sidarta Ribeiro, as antropólogas Débora Diniz e Rosana Pinheiro-Machado, o filósofo Vladimir Safatle, youtubers como Felipe Neto e artistas como Gregório Duvivier, Maria Rita, Chico César e Zélia Duncan constam como assinantes do pedido oficial entregue à Câmara.

O pedido sustenta que Jair Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade (nos termos do Art. 85 da Constituição Federal e da Lei nº 1079, de 10 de abril de 1950) ao convocar atos que pediam o fechamento do Congresso Nacional e do STF e, principalmente, por colocar em risco a saúde nacional ao romper o isolamento indicado pela Organização Mundial da Saúde e pelo próprio Ministério da Saúde de seu governo, ao participar das manifestações do dia 15 de março de 2020.

A lista completa de assinaturas está disponível em http://fernandapsol.com.br/forabolsonaro