NA ESTRADA, MAIS UMA VEZ

E cá estou eu iniciando a dura caminhada por uma cadeira no Senado da República. Só topei por saber que é um projeto de muito(a)s. Marielle nos inspira: “Sou porque nós somos”. Só sendo soma dará certo.

Partimos para a conquista do voto consciente no tempo do desalento por sabermos que ele – o desencanto – não é definitivo. A percepção da inutilidade da política para melhorar a vida das pessoas é real. Mas a Política – com “P” maiúsculo – é, igualmente, o único meio de começar a tirar tanta gente da precarização, da exploração, do sofrimento. Política que pressupõe a auto-organização da população, e não mera delegação.

Nossa campanha, franciscana e clara como sempre, será propositiva, mas crítica aos podres poderes que nos infelicitam. Será de anúncio, sem abrir mão da denúncia das máfias que (des)governam. Será do pé no chão, sem deixar de sonhar alto. Na política, quem não tem utopias se corrompe.

Assim seguiremos durante esses 45 dias, coerentes com nossa trajetória de vida. Cientes de que essa disputa, contra adversários endinheirados, com latifúndios de tempo de TV e rádio, fruto de alianças espúrias, será dificílima.

Mas temos o que eles não têm: adesão consciente, militância voluntária, ideias e causas – de justiça, igualdade, ética pública – a nos mover.

Esse pleito traz a novidade de uma sombria conjuntura de retrocessos. Promissora, porém. Conto com você nesse continuado aprendizado. Como diz Samuel Beckett, “todo dia algo é acrescido ao nosso saber, desde que suportemos as dores”.

Entramos nessa campanha com muita garra. E sem rabo preso: ficha e vida limpas! E também sem buscar vitória a qualquer preço, comprando votos, mentindo, enganando, prometendo mundos sem fundos. O povo anda cansado disso.

Cultivo minha religiosidade, mas nunca fiz uso político-eleitoral dela. Todas as crenças têm seus grandes pensadores. No cristianismo, Paulo pregou para os “de fora”, para os “diferentes”. Em uma de suas cartas – à comunidade de Corinto, na Grécia – ele fala de uma condição de liberdade e despojamento que me comove desde a juventude: “tidos como tristes, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo”.

Assim sigamos.
Vamos juntos!

Chico Alencar 500
Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2018.