por Orlando Zaccone*

A “guerra” é a política que não funcionou! Policiais e moradores das favelas cariocas foram jogados num conflito permanente, cuja única lógica é omitir a derrota de um modelo de segurança voltado para o interesse dos grandes negócios. Os negócios da segurança caminham juntos à segurança dos negócios, movimentando recursos e orçamentos em nosso estado, que priorizam a segurança em detrimento da educação e da saúde, e criando um mercado que se alimenta do medo da população. A falta de segurança gera negócios para a segurança!

O que chamam de “guerra” passa a fomentar uma economia macabra, com a maior taxa de mortes violentas dos últimos sete anos. Já são mais 97 policiais militares mortos, em 2017, sem contar os policiais civis, como Bruno Guimarães Buhler, morto durante operação policial na Favela do Jacarezinho. Os altos índices de homicídios contra policiais são acompanhados de aumento no número de mortes produzidas a partir de intervenção policial, os chamados autos de resistência. A polícia do estado do Rio de Janeiro matou este ano 581 pessoas, de janeiro a junho, um aumento de 45% em relação ao mesmo período do ano passado, representando uma média de uma pessoa morta por ação policial a cada oito horas. Somente as operações no Jacarezinho contabilizam, até o momento, 7 mortos e 8 feridos, entre eles trabalhadores residentes no local, como Georgina Maria Ferreira, de 50 anos.

A proibição das drogas feitas ilícitas é o dispositivo que autoriza trazer esta imensa letalidade para o interior do Estado de direito. Não existe guerra, existe sim um politica de segurança pública fracassada, que não contempla a proteção à vida de pessoas pobres, com farda ou sem farda. Surgem discursos de ódio, ao mesmo tempo em que o poder político corrompido trabalha na manutenção de uma ordem social de desigualdades, garantindo em contrapartida os seus privilégios no Executivo, Legislativo e Judiciário.

Hoje, policiais juram vingança aos seus mortos e o ódio dos moradores da favela recai sobre os policiais, deixando seguros os operadores do poder político, jurídico e empresarial, que clamam por mais violência e ações armadas. Enquanto contabilizamos os cadáveres, uma ponte para o futuro é construída sobre um mar de sangue. A quem interessa esse massacre?

* publicado no jornal O Dia, terça-feira (23/8).

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